Boas Práticas

5 dicas para começar a fazer um abate humanitário de suínos

Gerar produtos finais melhores e com maior durabilidade é um dos principais objetivos do abate humanitário. Além disso, a prática diminui a incidência de PSE (carne pálida) e DFD (carne ressecada e dura) e reduz a quantidade de animais cansados que exigem cuidados, e, consequentemente, o desperdício, considerando que os lesionados, quando abatidos, precisam passar pelo toilete, de acordo com exigência do SIF (Serviço de Inspeção Federal), o que gera perda de produto.

Segundo o pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Suíno e Aves, Osmar Dalla Costa, que atua com bem-estar animal, atualmente não se admite fazer o abate como ele era realizado tempos atrás. “Temos que tirar a vida do animal para consumirmos, mas dentro das melhores condições possíveis”. O especialista aponta como referência os materiais Abate Humanitário de Suínos (Steps)  desenvolvido pela WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal, sigla em inglês) com apoio do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e o RIISPOA (Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos). Reunimos 5 dicas primordiais para fazer esse tipo de abate.

1 – Saiba como os suínos se comportam. Deve-se evitar a área cega atrás do suíno, pois o animal se dispersa quando não enxerga o manejador.

2 – Mantenha a harmonia entre animais, pessoas e instalações. Isso diminui o estresse tanto dos manejadores quanto dos animais. Os suínos preservam uma zona de fuga ao seu redor. Já o ponto de equilíbrio é um limite estabelecido na paleta do suíno. Use essas duas referências para influenciar o animal a andar para frente, para trás, ou mesmo parar. Auxílios como tábua, chocalho, mãos e voz devem ser usados com cautela.

3 – Bastões elétricos só podem ser usados por um segundo, nos membros traseiros, quando o animal tiver espaço para avançar. Nunca use o bastão em regiões sensíveis como genitais, olhos e focinho.

4 – Proporcione conforto térmico aos animais. A densidade no transporte deve ser adequada. Evite paradas e procure fazer a viagem em horários com temperaturas mais amenas. No frigorífico, temperatura e umidade devem estar na zona termoneutra. Deve haver uma área de descanso com ambiente calmo, água limpa à vontade, sem mistura de lotes e sempre respeitando o tempo correto de jejum, que não deve exceder 18 horas no total.

5 – Projete as estruturas para a insensibilização elétrica sob o ponto de vista dos animais. Corredores largos, piso antiderrapante e luminosidade uniforme ajudam no manejo. A corrente elétrica que insensibiliza o suíno deve ter amperagem adequada, os eletrodos devem ser colocados na cabeça do animal, próximos ao cérebro, por um mínimo de três segundos. A sangria deve ser feita no máximo 15 segundos após a retirada dos eletrodos. A eletrocussão de três pontos é mais segura, pois após a insensibilização com os eletrodos na cabeça, mais um eletrodo é aplicado na região do coração, causando parada cardíaca. Neste caso, a sangria também deve ser feita logo após a retirada dos eletrodos. A sangria só pode ser feita com o suíno inconsciente e todos os outros procedimentos somente depois de comprovada sua morte.

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