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Exportar proteína animal para países árabes é uma boa? Entenda esse mercado em ascensão

Exportar proteína animal para países árabes é uma boa? Entenda esse mercado em ascensão

O Brasil é um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo e isso você já deve saber. Mas você sabia que os maiores importadores desse produto brasileiro são os países árabes?

Para que tenhamos uma ideia, o Egito destacou-se entre os países para os quais o Brasil aumentou suas exportações no mês de abril de 2017, com alta de 60% em faturamento (totalizando mais de US$ 23 milhões) e 54% no volume exportado (com um total de mais de 6 mil toneladas).

Para Liège Nogueira, diretora executiva da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), o principal motivo dessa evolução é a qualidade do produto exportado pelo Brasil e a sua capacidade de especialização na produção da carne bovina halal, que é a legalmente aceita nestes países e que envolve maneiras específicas de abate.

E o mais importante disso tudo: após os acontecimentos da Operação Carne Fraca, os países árabes retomaram a importação da carne brasileira e não querem parar. O objetivo deles é aumentar essa parceria com o Brasil. Porém, para isso os frigoríficos brasileiros devem estar devidamente preparados para atender a demanda.

Abate Halal: especificidade cultural/religiosa dos países árabes que devemos respeitar

Para exportar aos países árabes, os frigoríficos brasileiros devem estar devidamente certificados, indicando que a proteína animal vendida atendeu todas as especificações do Halal (que significa “permitido para o consumo”).

O conceito Halal trata-se de uma série de padrões específicos que vão desde a constatação da saúde plena do animal, passando pelas técnicas específicas de abate até a não adoção de trabalho infantil ou escravo pelos estabelecimentos de abate.

Liège Nogueira explica que “essa é uma especificidade cultural/religiosa dos países árabes que temos que respeitar”. Isso porque, segundo ela atuar em um mercado globalizado pressupõe isso e a indústria brasileira de carne, com toda sua qualidade técnica e capacidade de inovação, vem se adequando muito bem no que diz respeito à especialização do abate Halal.

Prova dessa capacidade é o grande número de certificações deste tipo de abate no Brasil. E tais certificações só vêm crescendo, já que possuímos cerca de 90% dos frigoríficos habilitados para produzir proteína animal Halal e seus derivados, de acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Mercado Halal para a proteína animal brasileira

O Brasil apresenta grande potencial para aumentar sua participação neste mercado em franca ascensão. Em 2013, por exemplo, 45,6% do total de 3,918 milhões de toneladas de frango exportadas pelo Brasil tiveram como destino os mercados que exigem o abate Halal.

Em especial o GCC (Conselho de Cooperação do Golfo) com 38%, cujos países são os principais compradores do frango brasileiro, casos da Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e Iraque.

Em relação à carne bovina, Liège cita dados animadores da ABIEC. Em abril de 2017, Egito, Irã e Arábia Saudita estavam entre os 10 principais países que mais exportaram carne bovina brasileira, figurando na 6º, 7º e 8º posições, respectivamente, mostrando a força dos países árabes para a carne brasileira.

Vale ressaltar que países árabes não consomem carne e derivados de origem suína (ditos como Haram, “impróprios para consumo”), portanto não importam esse tipo de produto.

Os países árabes estão em ascensão no consumo de proteína animal

O mercado árabe é, a nível mundial, a região que mais apresenta potencial de crescimento para a carne bovina brasileira, “essa é a principal vantagem desse mercado para nós”, garante Liège.

Prova disso é que recentemente, uma movimentação mercadológica foi realizada para garantir esse crescimento e, nessa movimentação houve a abertura de subsidiárias de importantes frigoríficos brasileiros em países como Egito e outros do Oriente Médio.

Segundo Liège, a ABIEC está sempre atenta essas movimentações, e sempre está procurando estreitar parcerias com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira visando ampliar, cada vez mais, ações em conjunto, sempre em prol da maior presença da proteína animal brasileira no mundo.

Já para os países árabes, a principal vantagem em importar a carne bovina brasileira é a garantia de qualidade que o nosso produto apresenta. “Essa garantia, entre outros fatores, é objeto de nossa especialização no abate Halal, que faz com que a carne bovina do Brasil chegue nestes mercados devidamente certificada”, explica a diretora executiva da ABIEC.

Principais desafios para exportar aos países árabes

Segundo a diretora da ABIEC, “temos como desafio constante ampliar a presença e os negócios nos diferentes mercados, inclusive os árabes”. Além disso, para Liège, sempre devemos respeitar as especificidades culturais, econômicas e sociais desses países, procurando se adequar a elas, dessa forma nossos produtos terão mercado mais forte nestas regiões.

Sabe-se também que, todo o trabalho nos frigoríficos costuma ser constantemente avaliado por recorrentes visitas de comissões sanitárias, religiosas e diplomáticas de vários países muçulmanos, garantindo que as etapas do abate Halal estejam sendo realizadas com eficiência.

Este é um desafio enriquecedor, não somente em termos monetários (que são muito vantajosos), mas também no que diz respeito ao desenvolvimento da indústria da carne brasileira”, explica Liège.

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