Inovação

Melhore sua rentabilidade com suínos focando em imunonutrição

Nas últimas décadas, a pesquisa de imunonutrição com suínos está ganhando atenção, especialmente motivada pelos desafios sanitários constantes enfrentados pela suinocultura. Tais problemas acontecem pelo aumento da densidade de animais (em granjas maiores), redução da idade de desmama, dificuldade na oferta de conforto térmico aos animais, agravamento dos problemas respiratórios e entéricos, aparecimento de novas doenças, entre outros.

Na imunonutrição os nutrientes exercem funções além do seu papel fisiológico, podendo, através do efeito farmacológico, modular o funcionamento também do sistema imune. Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Gustavo Lima, um aspecto relevante da imunonutrição suína é o emprego de alimentos com composição rica em imunonutrientes e mesmo imunoglobulinas, como é o caso do plasma suíno spray dry.

Lima explica que o objetivo central da imunonutrição suína é auxiliar a resposta imunológica dos animais através do planejamento das dietas que serão por eles consumidas. “A dieta baseada na imunonutrição é especialmente importante nos dias atuais em que a restrição ao uso de antimicrobianos é um fato, ao qual temos que aceitar”.

De acordo com o pesquisador, esta é considerada a sétima tecnologia mais importante para o avanço da área de nutrição de suínos, no período de 1908 a 2008, juntamente com o soro de leite e a lactose.

Este ingrediente é composto por imunoglobulinas, peptídeos, fatores de crescimento e outros nutrientes que possuem funções biológicas e é utilizado tradicionalmente na nutrição de leitões. A melhora observada com a utilização do plasma é devida, principalmente, à ação de globulinas no intestino e pela alta qualidade de sua proteína, constituindo-se em um ingrediente importante na alimentação de leitões após o desmame”, explica.

Como a imunonutrição é realizada em suínos?

O procedimento de imunonutrição é realizado em suínos através do planejamento de dietas formuladas para atender não só as demandas em nutrientes para maior desempenho, mas também, para propiciar aos animais melhores condições de enfrentar os desafios imunológicos sob os quais são colocados a prova.

A imunonutrição na água também parece funcionar. “Existem vários relatos na literatura que demonstram que a suplementação com imunoglobulinas através da água de beber melhorou o desempenho de leitões precocemente desmamados, mesmo alimentados com dietas formuladas com elevada complexidade de ingredientes”, explica Lima.

O pesquisador lembra que são várias as áreas da ciência que atuam na imunonutrição suína. Os princípios básicos são definidos pelo conhecimento compartilhado de imunologistas, patologistas e nutricionistas. Entretanto, ele ressalta que todo esse conhecimento deve estar inserido em uma fórmula de dieta calculada matematicamente por um nutricionista ou zootecnista.

E os custos da técnica? Qual a taxa de retorno?

Muitos suinocultores têm preocupação constante com os custos da dieta de suínos. Qual a resposta econômica na adoção desse tipo de dieta? O pesquisador da Embrapa explica que a resposta da imunonutrição é muito dependente da ferramenta (nutriente ou alimento) empregado, da taxa de inclusão, idade e peso dos suínos, sanidade e condições do local de criação.

Lima ressalta que os custos podem ser facilmente calculados, “basta verificar o quanto as dietas encarecem com o uso dessas ferramentas”. Entretanto, segundo o pesquisador, o retorno é de difícil medição, uma vez que a imunonutrição é implementada como uma medida de precaução, com impactos que são previsíveis, mas impossíveis de se medir precisamente.

Porém, Lima afirma que “animais saudáveis tem melhor desempenho e propiciam maior rentabilidade e saúde, mas tudo isso começa com uma boa nutrição, especialmente planejada e devidamente formulada para reduzir a ocorrência de doenças”. Afinal, animal doente não produz, ou produz muito menos.

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