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Pensa em abrir um abatedouro de pequeno porte? Conheça o passo-a-passo

O Brasil é reconhecido com um dos maiores produtores de proteína animal do mundo, sendo líder na produção de carne de frango e bovina, e estando entre os maiores produtores também de carne suína. No entanto, ainda temos um sério problema que precisa de rápida solução: os abates clandestinos.

Faltam números definitivos, porém especula-se que aproximadamente 30% da carne consumida no Brasil seja decorrente de abates clandestinos. Com a clandestinidade, não se sabe o quão higiênico é este abate, o que coloca o consumidor em risco permanente.

Felizmente, aos poucos a situação está mudando, pois órgãos fiscalizadores e empresários movimentam-se para a implantação de abatedouros de pequeno porte que atendam uma parcela destes abates e seguam as regras de higiene e segurança alimentar.

E a partir daí, surge a pergunta: Como montar um abatedouro de pequeno porte? André Luiz de Magalhães, Engenheiro civil, Técnico em Alimentos e representante da Engetecno Projetos, nos dá alguns direcionamentos a respeito do assunto.

Abatedouros de pequeno porte: quais as características?

Segundo Magalhães, há basicamente dois tipos de abatedouros de pequeno porte: O primeiro seria aquele com abate lento. “Neste tipo, um animal somente será insensibilizado quando o anterior já tiver sido eviscerado”. Este abatedouro é relativamente pequeno e tem área de até 200m², apresentando custos baixos e vendas bastante restritas, podendo obter somente Inspeção Municipal ou Estadual.

O segundo tipo seria o abatedouro com linha manual de abate. “Nestes abatedouros é possível fazer o abate de até 100 animais/dia”. Além disso, tais estabelecimentos conseguem Inspeção Federal que o regulamentam para vender seus produtos para todo o território nacional, porém, não podem exportar. A área desse segundo tipo de abatedouro é bem maior, chegando a até 800m².

Os abatedouros de Inspeção Municipal ou Estadual podem ser construídos com um investimento que varia bastante (entre R$50 mil – normalmente para venda de frangos inteiros a R$ 500 mil – para venda de frangos cortados ou processados). Já os Abatedouros de Inspeção Federal costumam receber um investimento que pode passar de R$ 2 milhões.

Principais licenças necessárias para abrir um abatedouro de pequeno porte

Antes de abrir um abatedouro de pequeno porte, seja ele com abate lento ou linha de abate, o empresário do setor deve seguir todas as normas e licenças obrigatórias de higiene e segurança, com estas legislações sendo atendidas na sua totalidade.

A licença necessária para um abatedouro de pequeno porte do primeiro tipo (abate lento) é a Inspeção Municipal. Esta é conseguida por meio da Secretaria Municipal de Saúde ou de Agricultura ou Inspeção Estadual. “As secretarias possuem um nome diferente em cada estado, por exemplo, SISP em São Paulo, IMA em Minas Gerais, ADAB, na Bahia e assim por diante”, explica Magalhães.

Já os abatedouros do segundo tipo podem obter o registro junto ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), SIF (Serviço de Inspeção Federal) ou SISBI-POA (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal).

Essas licenças são conseguidas através da aprovação de um processo, junto ao órgão competente, composto de Projeto Arquitetônico do Abatedouro (Planta baixa, Cortes, Fachada, Lista de Equipamentos, Disposição dos equipamentos na planta), Memoriais e Requerimentos”, explica o engenheiro responsável da Engetecno.

Também será necessário registro no órgão ambiental do estado, além de ter empresa constituída com Contrato Social, Inscrição Estadual e CNPJ, semelhantes a qualquer outra empresa. Por fim, Magalhães cita a necessidade de outros projetos complementares tais como: Projeto Elétrico, Projeto Hidráulico, Projeto Estrutural, Projeto de Prevenção e Combate a Incêndio.

Instalações, máquinas e equipamentos: o que é necessários?

A fiscalização sempre abrange pontos da área industrial e sanitária, ante mortem e post mortem dos animais, recepção, manipulação, beneficiamento e industrialização (quando existir), fracionamento, acondicionamento, embalagem, rotulagem, armazenamento do produto final e expedição.

Seguindo estas linhas de produção, Magalhães indica que o estabelecimento deve apresentar instalações e equipamentos específicos para a finalidade a que se destinam, conforme projeto aprovado pelo órgão competente. Porém, há uma listagem básica de instalações e equipamentos que são sempre fundamentais e representam as instalações de pequeno porte de inscrição municipal ou estadual e de inscrição federal.

As instalações de Abatedouros de Pequeno Porte de Inspeção Municipal ou Estadual são, conforme os projetos feitos pela Engetecno, basicamente:

  • Insensibilização de bovinos;
  • Insensibilização de suínos;
  • Setor de Evisceração;
  • Departamento de Inspeção (DIF);
  • Câmara fria para estocagem de carcaças;
  • Expedição de carcaças;
  • Bucharia e triparia;
  • Câmara fria para miúdos;
  • Sala Inspeção;

Já as instalações de um abatedouro de pequeno porte de Inspeção Federal são, conforme os projetos da Engetecno, basicamente:

  • Insensibilização de bovinos;
  • Insensibilização de suínos;
  • Setor de Evisceração;
  • Departamento de Inspeção Federal (DIF);
  • Túnel de congelamento;
  • Câmara fria para estocagem de carcaças;
  • Câmara fria para carcaças;
  • Expedição de carcaças;
  • Recepção de cerdas e casquilhos;
  • Bucharia e triparia;
  • Seção de miúdos;
  • Câmara fria para miúdos;
  • Embalagem de miúdos;
  • Expedição de miúdos e tripas;
  • Seção de recepção para graxaria;
  • Seção de recepção de couros;
  • Seção de recepção de chifres e mocotós;
  • Sala Inspeção.

Em relação aos equipamentos utilizados nesses estabelecimentos, Magalhães indica que eles devem ser resistentes à corrosão, apresentar fácil higienização e serem atóxicos, além de não propiciarem o acúmulo de resíduos, ou seja, não podem ser de material poroso. Geralmente os equipamentos e utensílios são de aço inox e devem sofrer constante manutenção e calibragem. Veja a seguir a pequena lista sugerida por Magalhães para os equipamentos necessários:

  • Seringa com chuveiros laterais;
  • Guincho elétrico;
  • Grade de contenção;
  • Equipamento insensibilização;
  • Tanque de escaldagem;
  • Mesa para depilar;
  • Trilhamento aéreo;
  • Trilho para cabeças;
  • Plataforma de trabalho;
  • Serras;
  • Rolete;
  • Calha para buchos;
  • Mesa e tanque para buchos e para miúdos;
  • Caldeira a lenha;

Visto isso, entende-se que montar um abatedouro de pequeno porte exige muito planejamento com a adequação das instalações e uso de equipamentos condizentes com as necessidades de cada projeto. Portanto, se você pretende montar um abatedouro de pequeno porte, busque auxílio de empresas especializadas que o ajudarão a conduzir um projeto muito bem detalhado e eficaz.

Montar um abatedouro de pequeno porte exige muita dedicação, esperamos que essas dicas aqui apresentadas possam ter ajudado. Aproveite e conheça mais nosso canal de conteúdo!

 

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