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Qual o papel dos profissionais do setor para ajudar no combate aos mitos da carne?

Qual o papel dos profissionais do setor para ajudar no combate aos mitos da carne?

A proteína animal é um dos mais importantes componentes da alimentação humana. No entanto, seu consumo e possíveis “malefícios” ainda causam muita polêmica. Isso porque somos cercados por muitas informações que raramente se baseiam em estudos científicos comprovadamente sérios, os tais mitos da carne.

Há quem defenda o consumo de carne vermelha, indicando-a como a principal responsável pela evolução do homem. Outros que acreditam que ela é um alimento desnecessário no cardápio. Para o consumidor comum, com o excesso de informações fica difícil distinguir a verdade dos mitos da carne.

Mitos da carne relacionados à saúde do consumidor

Devido a muitas informações desencontradas, diversos problemas relacionados à carne são lançados na mídia. Conversamos com a Dra. Juliana Pampana Nicolau, professora na área de carnes da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), em Presidente Prudente (SP) que faz alguns comentários sobre o assunto.

Carne vermelha causa doença cardiovascular?

Segundo Juliana, este mito está relacionado aos lipídeos (gorduras) presentes na carne. Os lipídeos são macronutrientes fundamentais, constituindo uma importante fonte de reserva de energia nos seres vivos. O fato é que a carne bovina possui ácidos graxos trans. As gorduras trans são um tipo específico de gordura formada por um processo de hidrogenação natural (que ocorre no rúmen de animais) ou industrial.

De acordo com a professora, alguns estudos realmente demonstram relação positiva entre a ingestão de ácidos graxos trans e a ocorrência de doença cardiovascular, “porém a quantidade desses ácidos graxos presente na carne é pequena”, explica. Portanto a possibilidade de doença vascular decorrente do consumo da carne é também pequena.

Carne vermelha possui muito colesterol?

Para desmistificar esse mito, Juliana cita a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). Na tabela, os cortes bovinos variam em sua quantidade de colesterol, possuindo, por exemplo, menores níveis em lagarto bovino cozido ou paleta sem gordura cozida (56 mg de colesterol em 100 g de carne) e maiores níveis em contrafilé com gordura grelhado (144 mg de colesterol em 100 g de carne).

No entanto, Juliana comenta: “Bucho e fígado bovinos, camarão, lambari e manjuba são alguns exemplos de alimentos que possuem mais colesterol que os cortes cárneos de bovino”.

Carne embalada a vácuo é mais velha, já que é mais escura

Muitos consumidores não consomem carne embalada, pois falam (erroneamente) que é composta por carne mais velha, por isso é mais escura. Tal “afirmação” nada mais é do que mais um mito e a professora explica o motivo.

A cor escura da carne embalada a vácuo é devida à ligação da molécula de água ao íon ferroso da mioglobina (proteína que confere cor vermelha à carne). Quando a embalagem a vácuo é aberta e a carne fica novamente exposta ao oxigênio, este se liga ao íon ferroso tornando a carne novamente vermelho-brilhante”.

Portanto, a cor mais escura de carnes embaladas a vácuo indica que estas foram embaladas sem a presença do oxigênio.

Como os profissionais do setor podem desmistificar os mitos da carne

Os profissionais do setor têm papel fundamental para acabar com os mitos da carne. Porém, para fazerem isso, devem oferecer sempre a informação certa. Segundo Juliana, a informação proveniente de médicos veterinários ligados à inspeção sanitária de carne é a forma mais segura de divulgar as verdadeiras informações da carne, “eles são os profissionais devidamente treinados para fazer a inspeção sanitária de produtos de origem animal, incluindo a carne”.

Assim, se você atua na área de carnes (açougues, frigoríficos ou abatedouros), deve sempre consultar os médicos veterinários (além dos profissionais mais habilitados na área) para esclarecimentos de qualquer dúvida em relação ao assunto. Somente assim, conseguirá transmitir a informação certa ao consumidor comum, impedindo que os mitos da carne façam a sua cabeça.

Como continuar vendendo bem em meio a esse cenário

Se você é gestor de um açougue, já deve ter percebido que sempre que algum mito muito grande é apresentado na mídia, as vendas de carne tendem a cair. Então como continuar vendendo bem mesmo perante a ocorrência deles?

A professora comenta que: “Para continuar vendendo bem, os profissionais do setor devem provar continuamente que a carne brasileira é segura e, devem combater com veemência as possíveis fraudes”.

Ainda segundo a especialista, infelizmente, diversos setores estão sujeitos à fraude, e o setor da carne também está no fio da navalha sempre. Mas, com médicos veterinários dos serviços de inspeção e profissionais da área empenhados em um trabalho sério e preocupados com a saúde do consumidor, será possível reduzir esses perigos.

Com isso, o Brasil pode mostrar que os estabelecimentos produtores de carne, em sua grande maioria, são extremamente competentes em produzi-la, armazena-la e vende-la. Dessa forma, carne de qualidade, serviço de inspeção atento e indústrias e comércio preocupados com a oferta de um produto sem perigos à saúde do consumidor, são a chave para manter o Brasil no ranking de produção e exportação mundial de carne bovina.

Se você atua na área de carnes, seja produzindo, seja vendendo, saiba que sua responsabilidade é muito grande em acabar com os mitos da carne! Compartilhe este artigo!

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